01/08/2007 | por: Ricardo Oliveira

Sistema Imunitário

Sistema Imunitário Nosso corpo é formado por células e cada grupo de células tem uma função clara e determinada. Um grupo de células, chamado linfócitos (glóbulos brancos), tem a função de defender nosso organismo das doenças e infecções e, como já vimos, o vírus da AIDS escolhe justamente as células que compõem o nosso sistema de defesa (imunológico) para viver.

Os linfócitos são um tipo importante de grupo de células e se dividem em duas categorias: os linfócitos B e os linfócitos T.

Os linfócitos B protegem o corpo contra os micróbios, fabricando substâncias chamadas anticorpos, que vão "colar-se" ao micróbio, impedindo-o de agir.
Entre os linfócitos T, os T4 (também chamados CD4) são os responsáveis no processo de defesa do nosso organismo, por "alertar" o sistema imunológico que é necessário se defender. Sem estar avisado de que precisa combater os "invasores", o nosso sistema imunológico não funciona.
Os linfócitos T8 (também chamados CD8) destróem as células já infectadas ou doentes.

Os linfócitos estão presentes principalmente no sangue e em órgãos chamados gânglios linfáticos, que têm a forma de um pequeno feijão ou de uma bolinha e estão espalhados no corpo (podem-se apalpar alguns nas axilas ou virilhas).

Por fim, os macógrafos são grandes células imunitárias. São consideradas como os "lixeiros" do organismo: digerem os "resíduos" saídos das células mortas e os micróbios.
Os macógrafos agem principalmente no interior dos órgãos e pouco no sangue.
O vírus HIV pode infectar os linfócitos T4 (CD4)e os macógrafos, mas não os linfócitos T8.

Cientistas filmam a invasão do HIV à célula humana, revelando facetas desconhecidas do vírus

Pesquisadores do mundo todo comemoraram mais uma vitória sobre o HIV, o vírus causador da AIDS. Em uma pesquisa publicada na versão online da revista americana Science, cientistas da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, descreveram pela primeira vez, de forma detalhada, uma parte importante do mecanismo pelo qual o vírus infecta um dos soldados de defesa do corpo, a célula T, também conhecida como linfócito T, minando a capacidade de o organismo se proteger de infecções. “A célula T é o maestro do sistema imunológico. Por
isso, quando o vírus entra nela, provoca uma bagunça em toda a orquestra. A consequência é que o corpo não reage mais ao que
deveria reagir”, explica Celso Granato, virologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O estudo americano desvendou justamente como é o processo que vai resultar na entrada do vírus no linfócito T. Já se sabia que, de alguma forma, o HIV era levado por células presentes nas mucosas, também integrantes do sistema de defesa, até esses soldados, mas só agora descobriu-se com maiores detalhes como isso acontece. E o achado foi feito de maneira inusitada. Utilizando equipamentos sofisticados, os microbiologistas Thomas Hope e David McDonald filmaram, em laboratório, todo o mecanismo de invasão.

No registro, é possível ver o ataque passo a passo. As primeiras células de defesa acionadas a partir da aproximação do HIV são as dendríticas. “Elas deveriam destruir o vírus, mas não conseguem”, explica o infectologista David Levy, de São Paulo. A partir daí, tornam-se uma espécie de cavalo-de-tróia. Elas passam a carregar partículas virais e as apresentam ao linfócito T para que ele acabe com o inimigo. Mas exatamente essa célula possui em sua superfície proteínas que facilitam a entrada do HIV em seu interior. É como se o vírus tivesse pegado carona para chegar onde queria: em um Ponto vulnerável do sistema de defesa.

Para o infectologista Ricardo Diaz, da Unifesp, a descoberta confirma as especulações da ciência. “A diferença é que antes acreditava-se que o processo ocorresse dessa maneira. Agora podemos ver o que acontece”, afirma. O achado é importante porque, ao compreender melhor as estratégias da invasão, fica mais fácil desenvolver drogas e vacinas que impeçam a infecção. “A descrição desse mecanismo abre novos caminhos. Entender a entrada do vírus é essencial para se desenvolverem drogas certeiras”, explica Caio Rosenthal, infectologista do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo.

(Lia Bock - Revista Isto É - maio/2003)


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