01/08/2007 | por: Ricardo Oliveira

Fenômeno de Raynaud

O fenômeno de Raynaud é uma alteração da coloração da pele que ocorre em crises, sendo caracterizada por palidez, cianose e rubor de aparecimento sequencial. Nem sempre ocorrem as três fases. Podem surgir palidez e cianose e cianose e rubor. As crises podem durar minutos ou horas, sendo o exame físico normal nos intervalos.
Na maioria das vezes acomete as mãos e os dedos, porém também pode envolver os pés, pododáctilos, nariz e orelha. Habitualmente é simétrico, porém pode acometer um dedo isoladamente.

O fenômeno de Raynaud, caracteristicamente, deve ser reproduzido após exposição ao frio ou ao teste de imersão em água gelada.
O fenômeno de Raynaud costuma ser desencadeado pelo frio, uso do Cigarro e por alterações emocionais, sendo mais comum nas mulheres.

Alteração no fluxo sanguíneo da pele é o principal mecanismo de regulação da temperatura corpórea. Vasoconstrição periférica em resposta ao frio é fisiológica e normal, e vasoconstrição suficiente para produzir palidez ou cianose pode ocorrer na população normal em exposição prolongada ou severa ao frio.

O fenômeno de Raynaud habitualmente segue o seguinte cronograma: na primeira fase ocorre vasoespasmo com consequente diminuição do fluxo sanguíneo para a rede capilar das extremidades causando a palidez. Na segunda fase, desaparecendo o espasmo das arteríolas e dos capilares arteriais, surge espasmo dos capilares venosos e vênulas, com estase sanguínea levando a maior extração de oxigênio com aumento de hemoglobina reduzida, resultando na cianose. Na terceira fase, desaparece o vasoespasmo e ocorre vasodilatação com a rede capilar preenchida por sangue arterializada e portanto causando o rubor. A hiperidrose pode estar associada.

Quando o fenômeno de Raynaud acontece sem doença básica é denominada de Fenômeno de Raynaud ou Fenômeno de Raynaud Primário. Quando ocorre associado a outras doenças, é denominado de fenômeno de Raynaud Secundário ou Doença de Raynaud.

Várias doenças podem estar associadas ao fenômeno de Raynaud:

1. Medicamentos/drogas: Cafeína, nicotina, estrogênio, derivados da ergotamina, simpaticomiméticos, beta-bloqueadores, anticoncepcionais orais, bleomicina, vinblastina, ciclosporina, clonidina.

2. Doenças arteriais: trombangeite obliterante, arterites, artereoesclerose obliterante.

3. Neurogênicas: hemiplegias, hemiparesias, polineuropatia.

4. Doenças hematológicas: policitemia, trombocitopenia, crioproteinemia, mieloma.

5. Compressão neurovascular: síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do túnel carpiano, síndrome de compressão da cintura escapular.

6. Doenças do tecido conjuntivo: lupus eritematoso sistêmico, esclerodermia, Artrite Reumatóide, polimiosite.

7. Profissionais trabalhadores com instrumentos de perfusão e/ou vibração.

8. Outras: hipotireoidismo, Doenças de Cushing, Doença de Graves e insuficiência arterial crônica.

Cerca de 13% dos portadores de fenômeno de Raynaud apresentarão Doença de Raynaud entre 2,8 e 10 anos pós o seu aparecimento, sendo condição associada mais frequente a esclerodermia.


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