03/08/2007 | por: Ricardo Oliveira

Transgenicos


Pró & Contra

      Plantas transgênicas devem ser liberadas no Brasil?

      A multinacional Monsanto pretende plantar e vender no país soja geneticamente modificada - o grão alterado recebe um gene de bactéria e torna-se imune aos herbicidas. Liberado em países como Estados Unidos e Argentina, esse novo tipo de alimento ainda não foi aprovado na Europa. Ambientalistas e cientistas discutem medidas para evitar danos à saúde e ao ambiente

      SIM

      ALBERTO DUQUE PORTUGAL

      Alberto Duque Portugal é diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

      Sim, porém, como se trata de plantas produzidas por engenharia genética, várias precauções devem ser tomadas. Para tanto, foi promulgada a Lei de Biossegurança, aprovada pelo Congresso Nacional em 1995, que criou a ComissãoTécnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pelo controle e pela liberação de produtos transgênicos. Essa lei define que esses produtos só podem ser importados, pesquisados, testados e comercializados se atenderem às exigências determinadas pela comissão. E, nesse contexto, a segurança à saúde e ao meio ambiente e a correta informação aos consumidores - que têm o direito de saber, pelo rótulo, que tipo de produto estão consumindo - são pré-requisitos para a existência

      desses alimentos no mercado.

      Os avanços da biotecnologia para produção de plantas transgênicas abrem perspectivas quase infinitas para a melhoria da qualidade alimentar e do meio ambiente, além de resultados econômicos. As vantagens que essa nova tecnologia pode trazer passam pela produção de plantas menos suscetíveis a pragas e doenças, que requerem menor uso de defensivos, e pela criação de plantas com melhor valor nutricional do que as disponíveis na natureza. Também podem significar a simplificação dos processos produtivos, como o caso da soja resistente ao glifosato, ora em discussão.

      Estimular o progresso da biotecnologia no país certamente evitará atrasos e ajudará a reduzir a dependência brasileira da tecnologia estrangeira na agricultura, em que possuímos vantagens competitivas em relação aos nossos principais concorrentes. Por isso, é importante viabilizar as plantas transgênicas, ampliando o debate e o conhecimento, monitorando os impactos e, principalmente, apoiando a CTNBio para que ela cumpra bem seu papel. (Revista Época, 8/6/98)

      NÃO

      SÉRGIO HENRIQUE FERREIRA

      Sérgio Henrique Ferreira é presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

      Hoje, somos contra a liberação no Brasil da soja transgênica - objeto de solicitação da multinacional Monsanto. Estamos certos de que os testes ainda são insuficientes para garantir a utilização segura do produto. Os alimentos e todos os organismos geneticamente modificados, no entanto, devem ser liberados no Brasil (e em qualquer lugar) desde que contribuam para melhorar a qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente. Uma entidade de defesa e fomento da atividade científica como a SBPC não pode se postar contra o avanço tecnológico.

      As técnicas de engenharia genética devem ser estimuladas para se chegar a plantas resistentes a pragas e a moléstias, ou que carreguem alteração em suas propriedades bioquímicas para aumentar o valor nutricional. A realidade é que mudar a estrutura genética de um ser é um assunto grave, merecendo uma reflexão profunda por parte da sociedade brasileira. É preciso elevar os debates para além dos foros acadêmicos e de comissões técnicas.

      Exigimos rigor para o caso da soja antes de sua liberação comercial, até porque esse será um caso que criará jurisprudência sobre o assunto. Existem questões no processo que ainda não estão suficientemente esclarecidas. Qual é o grau de toxicidade do produto para a espécie humana? Essa é uma exigência prevista pelas Instruções Normativas da CTNBio - a comissão responsável pela análise e pela liberação dos produtos modificados geneticamente no Brasil.

      Somos a favor de que os produtos liberados tenham no rótulo o aviso de que são resultado de modificação genética. E essa liberação não deve ocorrer antes que haja um grande debate público e se aprofundem os testes necessários para garantir a saúde humana e a qualidade ambiental.



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