03/08/2007 | por: Ricardo Oliveira

Tipos de Introdução


A introdução da dissertação traz ao leitor o tema a ser discutido além de, muitas vezes, trazer sob qual ângulo a questão será discutida. Dessa forma, é ela quem provoca no leitor o primeiro impacto, é ela a Apresentação de seu texto e, portanto deve ser muito bem trabalhada, o que não é tão difícil, pois há várias boas maneiras de começar uma dissertação. As formas abaixo são algumas possíveis, mas, certamente, não são as únicas.

      Vale ainda salientar que a introdução só deve ser feita após estar concluído o "Projeto de Texto".

      Roteiro

      Como em toda introdução, o tema deve estar presente.

      Além disso, neste tipo é apresentado ao leitor o roteiro de discussão que será seguido durante o desenvolvimento. Para exemplificação, suponhamos o tema:

      A questão do menor no Brasil

      Uma possível introdução seria:

      Para se analisar a questão da violência contra o menor no Brasil é essencial que se discutam suas causas e suas conseqüências.

      0 principal defeito em uma redação que utiliza este tipo de introdução é seguir outro roteiro que não seja o nela citado.

      Hipótese (hipo) tese

      Este tipo de introdução traz o Ponto de vista a ser defendido, ou seja, a tese que se pretende provar durante o desenvolvimento. Evidentemente a tese será retomada – e não copiada - na conclusão.

      Vejamos um exemplo para o mesmo tema:

      A questão da violência contra o menor tem origem na miséria - a principal responsável pela desagregação familiar.

      0 principal risco desse tipo de introdução é não ser capaz de realmente comprovar a tese apresentada.

      Perguntas

      Esta introdução constitui-se de uma série de perguntas sobre o tema.

      Exemplo:

      É possível imaginar o Brasil como um pais desenvolvido e com justiça social enquanto existir tanta violência contra o menor?

      O principal problema neste tipo de introdução é não responder, ou responder de forma ineficaz, as perguntas feitas. Além disso, por ser uma forma bastante simples de começar um texto, às vezes não consegue atrair suficientemente a atenção do leitor.

      Histórica

      Esta introdução traça um rápido panorama Histórico da questão, servindo muitas vezes de contraponto ao presente.

      Às crianças nunca foi dada a importância devida. Em Canudos e em Palmares não foram poupadas. Na Candelária ou na praça da Sé continuam não sendo.

      Deve-se tomar o cuidado de se escolher fatos históricos conhecidos e significativos para o desenvolvimento que se pretende dar ao texto.

      Compararão - por semelhança ou oposição

      Procura-se neste tipo de introdução mostrar como o tema, ou aspectos dele, se assemelham - ou se opõem - a outros.

      É comum encontrar crianças de dez anos de idade vendendo balas nas esquinas brasileiras. Na França, nos EUA ou na Inglaterra - países desenvolvidos - nessa idade as crianças estão na escola e não submetidas a violência das ruas.

      É bastante importante que a comparação seja adequada e sirva a algum propósito bem claro - no caso, mostrar o subdesenvolvimento brasileiro na questão do menor.

      Definição

      Parte da definição do significado do tema, ou de uma parte dele.

      Menor: o mais pequeno, de segundo plano, inferior, aquele que não atingiu a Maioridade. O uso da Palavra “menor” para se referir às crianças no Brasil já demonstra como são tratadas: em segundo plano.

      Vale perceber que há, muitas vezes, mais de uma maneira de se definir algo e, portanto a escolha da definição mais adequada dependera do Ponto de vista a ser defendido.

      Contestação

      Contesta uma idéia ou uma citação conhecida.

      O Brasil é o país do futuro. A criança é o futuro do país. Ora, se a criança no Brasil passa fome, é submetida às mais diversas formas de violência física, não tem escola, nem saúde, como pode ser esse o pais do futuro? Ou será que a criança não é o futuro do país?

      Repare como esse tipo de introdução pode ser bastante atraente, uma vez que desfazer clichês atrai mais a atenção do que usá-los.

      Narração

      Trata-se de contar um pequeno fato de relevância como Ponto de partida para a análise do tema.

      Sentar numa frigideira com óleo quente foi o castigo imposto ao pequeno D., de um ano e meio, pelo pai, alcoólatra. Temendo ser preso, ele levou a criança a um hospital uma semana depois. A mulher, também vitima de espancamentos, o denunciou à polícia. O agressor fugiu.

      Cuidado, ao fazer este tipo de introdução, para não cometer o erro de contar um fato sem relevância, ou transformar toda sua dissertação em uma narrativa.

      Estatística

      Consiste em se apresentar dados estatísticos relativos à questão a ser tratada.

      Quarenta mil crianças morreram hoje no mundo, vítimas de doenças comuns combinadas com a desnutrição. Para cada criança que morreu hoje, muitas outras vivem com a saúde debilitada. Entre os sobreviventes, metade nunca colocará os pés em uma sala de aula. Isso não é uma catástrofe futura. Isso aconteceu ontem, está acontecendo hoje. E irá acontecer amanhã, exceto se o mundo decidir proteger suas crianças.

      Veja que o dado estatístico, muitas vezes, não diz nada por si só. E necessário que ele apareça acompanhado de uma análise criteriosa.

      Mista

      Procura fundir várias formas de introdução. Veja como o exemplo dado em contestação traz também a introdução com perguntas. Vejamos um outro possível exemplo.

      Crianças mortas em frente a Igreja da Candelária. Denúncias de meninas se prostituindo nas cidades e nos campos. Garotos vendendo balas nas esquinas. Não é possível imaginar o Brasil um país desenvolvido e com justiça social enquanto perdurar tão triste quadro.
       



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