03/08/2007 | por: Ricardo Oliveira
Ser ou ser Manipulavel
Todos nós estamos sujeitos a algum tipo de manipulação. E a forma mais comum disto acontecer é quando as pessoas fazem uso do nosso "ego". Não queremos de forma alguma que o outro tenha um mau julgamento ao nosso respeito. Achamos que devemos corresponder às expectativas alheias, pois, caso contrário, o nosso conceito "cairá".
É a mesma história daquela sua amiga que chega de mansinho e vai "massageando" a sua auto-imagem com frases do tipo: "Você é tão especial, tão inteligente, tão bacana..." e logo em seguida "dá o bote": "... será que você poderia me fazer um favorzinho...".
Lógico que dificilmente você conseguirá evitar este favor. Talvez esteja sem o tempo, sem condições ou simplesmente não esteja disposto a realizar aquilo naquele momento. O problema é que na maioria das vezes, nós, seres humanos, podemos ignorar um insulto, mas não conseguimos ignorar um elogio. E o manipulador sabe disso. Ainda que inconscientemente, mas sabe.
E se por acaso você respeitar o seu limite e dizer "Não" como resposta, imediatamente a chantagem da sua "amiga" continua, desta vez, de mais agressiva: "Puxa vida, Eu não esperava ouvir isto de você. Como pôde me deixar na mão... Você me decepcionou...". Alguns manipuladores mais dramáticos chegam a apelar: "Eu pensava que poderia contar com você, mas já vi que não é nada disso".
Com tudo isto você acaba se sentindo a pior pessoa do mundo. Fica até deprimido.
Mas é claro você não quer decepcionar ninguém. Afinal, morre de medo que a outra pessoa ameace a sua imagem de um ser bonzinho e sempre solícito. "Já pensou se ela pensar mal de mim?", você reflete. E corre fazer tudo do jeitinho que ela pediu. É bem provável que faça até mais do que o solicitado, ainda que isto traga para você algum prejuízo. Será este o seu caso?
O jogo da manipulação é um jogo cruel porque você se vê obrigado a fazer tudo o que a pessoa espera de você e ainda deve se sentir agradecido por estar nesta condição. Pais fazem isto com os filhos, professores com os alunos, patrões com empregados e vice-versa. Casais também passam freqüentemente por estas situações.
Não quero aqui dizer que ajudar o próximo seja algo ruim. Pelo contrário. Podemos e devemos ajudar ao outro sempre que tivermos condições e oportunidade. Mas também temos que reconhecer que não podemos tudo. Temos que aprender a dizer não em determinadas situações para termos tempo de viver as nossas próprias coisas.
Desistir de preservar a sua imagem de sempre perfeito, zeloso e bonzinho, desistir de ser o bom samaritano 24 horas por dia é um bom começo para não se tornar uma pessoa manipulável. A escolha é sua. Se você sempre pode tudo para todos, pagará um preço muito caro.
Aprendendo a respeitar os próprios limites, você perderá o título de "queridinho de todos". Seu conceito poderá cair cada vez que disser um "desculpe, agora não posso..." ou "infelizmente não tenho como ajuda-lo nisto", mas, seguramente, estará "separando o joio do trigo". Ou seja, estará conhecendo que de fato é seu amigo e quem se relaciona contigo apenas por interesse.
Ser ou não ser manipulável? Como já disse, a escolha é sua.
* Chris Almeida é filósofo e terapeuta holístico
Conheça seu trabalho em www.chrisalmeida.com.br
Marionetes
Hélio Consolaro
Faço-lhe uma pergunta, caro leitor, que está começando o dia lendo essas frívolas linhas. Quantas vezes você será manipulado hoje?
Manipulado no sentido de ser levado a fazer aquilo que os outros querem. Não responda "nenhuma vez", porque estará mentindo.
Vendo um teatro de marionetes, aqueles bonecos manipulados por mãos habilidosas, pensei em Deus. Veja que heresia!
Há gente que imagina ser Deus um ser desocupado, ou melhor, ocupado em puxar os cordéis de cada pessoa, e fica tentando comprá-lo com orações e promessas.
Eu tenho em minha frente o computador, mas nem sei que peças há dentro dele, embora as use e torça para que elas funcionem bem.
Deus é mais ou menos assim também. Ele tem muitos planetas, galáxias, o universo e o infinito. Nem sabe que seres os habitam, embora deseje o bem de todos, por que ele fica irado quando alguém atrapalha seus planos. Como Eu, quando o computador não funciona bem.
Voltando ao rés do chão, a esse vale de lágrimas, ninguém se pode dizer ileso a manipulações, porque a interatividade entre as pessoas gera a mudança de opinião, altera nossas preferências.
Fiquemos no sentido pejorativo do verbo manipular: ser enganado. Nem desse escampamos todos os dias nesse mundo moderno, com mídia por todos os lados. Sempre há uma propaganda enganosa, alguém querendo nos convencer.
Até o mendigo ao esmolar pode estar manipulando você, caro leitor. Ele diz que quer ajuda para um prato de comida, na verdade, quer tomar pinga. Às vezes, gostamos de ser enganados. Forçamos a que os outros nos manipulem.
A arte sempre imita a vida de forma cruel. Até me esquecia de ouvir o texto do teatro, me perdia nas reflexões, como faço ao ouvir discursos e homilias chatas. Os bonecos pareciam falar seus próprios pensamentos, não eram ventríloquos às avessas. Os cordões não apareciam para a platéia e as crianças acreditavam piamente no que viam. Não é assim que nos comportamos à frente do televisor?
Então, caro leitor, se convenceu de que a manipulação faz parte da vida?
Proposta de redação
Redija um texto em prosa, dissertativo, a partir do que os textos e as fotos lhe sugerir. Tamanho: 30 linhas.
Não há tema explícito. A partir do levantamento das ocorrências textuais e visuais, pode se esboçar o tema:
1. O homem e a (falta de) Liberdade
2. Estaria a arte (teatro de marionetes) imitando a realidade?
3. Possibilidades e perspectivas do ser humano: seremos nós meras maironetes?
4. Ainda há possibilidades de estabelecer elos com questões sociais.