03/08/2007 | por: Ricardo Oliveira
Não Falar mal do governo nas Dissertações
Autor: (Hélio Consolaro* )
Uma estudante de Araçatuba me procurou, por que a sua professora de Redação, no cursinho, recomenda a seus alunos que nunca contrarie o governo em seus textos, pois poderão ser reprovados nos exames.
Estranhei tal recomendação, pois a banca examinadora não tem a competência de avaliar ideologicamente o aluno, fazer isso seria falta de Liberdade de pensamento, contrariar a Constituição Federal. Essa preocupação foi deixada lá atrás, durante a ditadura militar.
De fato, é examinado nos exames vestibulares se o estudante tem informações sobre o tema, argumenta bem, com lógica e se seu texto tem Coerência e Coesão.
Recomenda-se que o texto do aluno não tenha caráter panfletário em temas polêmicos, mas que, com toda Liberdade, defenda em linguagem ponderada e com objetividade, seu Ponto de vista, já que a dissertação tem uma pretensão científica.
Fora isso, a colega está castrando o livre pensamento de seus alunos, fazendo tal recomendação, quando devia criar no neles o senso crítico e a capacidade de elaborar saberes.
E também contraria os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) que propõe: "Toda educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva".
*Hélio Consolaro é professor de Português, cronista diário da Folha da Região - Araçatuba -SP, presidente da Academia Araçatubense de Letras e coordenador do Site Por Trás das Letras.