30/07/2007 | por: Ricardo Oliveira
Caatinga
CARACTERÍSTICAS GERAIS
A Caatinga estende-se por todo interior do nordeste oriental, chegando ao sul do Piauí e a norte de Minas Gerais. É marcada pelo clima semi-árido, com chuvas irregulares, com estações do ano não muito bem definidas: uma quente e seca, e outra quente e úmida (isto ocorre devido a irregularidade das chuvas somando a circulação de massas de ar na região). O cenário árido é uma descrição da Caatinga - que na língua indígena quer dizer Mata Branca - durante o período prolongado de seca correspondente ao inverno. Muito provavelmente os indígenas batizaram-na com este nome por apresentar-se sem folhas e com aspecto seco a maior parte do ano. O relevo da região, embora apresente altitudes modestas, possui uma disposição para o sentido norte-sul canalizando os ventos alísios. São estes corredores de vento que dificultam a ocorrência de chuva na região. O solo da zona da Caatinga é rico em sais minerais e paupérrimo em matéria orgânica devido a intensa luminosidade calor, que carbonizam a matéria orgânica, dificultando sua decomposição. Em seguida, esta matéria orgânica carbonizada é espalhada pelo vento. O solo, por ser composto principalmente por argila, possui grande capacidade de retenção das águas das chuvas, não permitindo que estas circulem. As plantas possuem raízes superficiais para o máximo de absorção destas águas. O relevo atual surge a partir de influências de processos morfogenéticos subatuais, responsáveis pelos grandes traços do modelado, planaltos arrasados e alguns morros isolados ("inselbergs"). Sua vegetação é constituída por arbustos tortuosos que perdem as folhas na estação seca, cactáceas e bromeliáceas, e por vegetação rasteira que surge na estação chuvosa. Temos como exemplo da vegetação arbustiva a Aroeira, o Juazeiro, com porte arbóreo em condições favoráveis de solo. Como cactáceas temos o xiquexique, o xiquexique do sertão e o mandacaru. E como bromeliácea temos o caroá. Esta região possui três bacias hidrográficas: a do São Francisco, que banha o Sertão, a do Parnaíba, que banha o Meio-Norte e a Bacia Secundária do Nordeste, constituída principalmente por rios intermitentes ou temporários.
DEGRADAÇÃO
Êxodo rural para as capitais nordestinas e outras regiões; desertificação de grandes áreas. Prospecção e exploração de lençóis d’água subterrâneos e de combustíveis fósseis: Petróleo e gás natural - Contaminação de recursos d’água superficiais; desmatamento.
Siderúrgicas olarias e outras indústrias: Corte da vegetação nativa para produção de lenha e carvão vegetal; desertificação.
Formação de pastagens: devastação da cobertura vegetal; perda progressiva da matéria orgânica do solo; erosão.
Irrigação e drenagem: Salinização do solo. Através dos processos de irrigação que têm sido freqüentes na região das caatingas, o homem tem causado a salinização dos seus ambientes. O mau uso da irrigação faz a água evaporar mais em alguns locais deixando apenas o sal no solo, que, por sua vez reage com os minerais existentes neste, promovendo reações químicas que dificultam a adaptação de algumas espécies ao mesmo. Quanto mais espécies são retiradas, mais o solo fica desprotegido, livre à ação da chuva forte, dos ventos e do sol, promovendo assim a desertificação, contaminação do solo por agrotóxicos e assoreamento dos açudes.