28/07/2007 | por: Ricardo Oliveira

Europa

Europa
Situada no hemisfério norte, a Europa limita-se ao norte com o oceano glacial Ártico, a oeste com o oceano Atlântico, ao sul com o mar Mediterrâneo e a leste com a Ásia, na encosta dos montes Urais. É cercada por várias grandes ilhas e arquipélagos como Islândia, ilhas Britânicas, Sicília, Sardenha, Córsega, Creta, Malta e Chipre. O litoral é extremamente recortado, com muitas baías, fiordes e mares.
Geografia política

Aspectos naturais

Relevo. A Europa apresenta uma altitude média de 340m, a menor de todos os continentes. Distinguem-se duas regiões geomorfológicas: a setentrional e a meridional. Na primeira, o relevo apresenta velhos maciços nivelados e planícies, entre elas as bacias sedimentares de Londres, de Paris, da Suábia e da Francônia; as planícies da Alsácia, do leito médio do Reno, da Bélgica e dos Países Baixos; os maciços montanhosos da Escandinávia, da Escócia e da Irlanda; as montanhas inglesas, os Urais, os Vosges, as Ardenas, a floresta Negra, o maciço xistoso renano, o Harz, a floresta da Boêmia e o maciço central francês.
A região meridional apresenta longas cadeias montanhosas, que se estendem desde a cordilheira Penibética, na Andaluzia, até o Cáucaso, e incluem os Pireneus, os Alpes, os Apeninos, os Cárpatos e os Balcãs. Nessas montanhas encontram-se os mais altos cumes da Europa, como o monte Branco (4.807m).
Hidrografia. A Europa possui três áreas hidrográficas: a dos rios atlânticos, como Minho, Sena, Mosa e Tâmisa, que são coletores de planície e apresentam caudal regular durante todo o ano; a dos rios de planície, como Vístula, Dnieper, Dniester, Don e Volga, que apresentam longos trechos navegáveis e que congelam no inverno; e a dos rios mediterrâneos, como Ebro, Garona, Ródano e Pó, que possuem curso muito irregular e estão sujeitos a longas estiagens no verão. Os regimes do Danúbio e do Reno variam conforme a região que atravessam.
Clima. O continente apresenta grande variedade climática graças à configuração topográfica, que permite a penetração da influência moderadora do oceano Atlântico. Há três tipos de clima: o oceânico, o continental e o mediterrâneo.
O primeiro se estende pela faixa ocidental, da Noruega a Portugal. O clima continental predomina na Polônia, no leste da Alemanha, nas regiões banhadas pelo Danúbio, na Suécia, na Finlândia, nos países bálticos e nas regiões européias da antiga União Soviética. O clima mediterrâneo cobre uma grande extensão do continente em virtude do longo corredor formado pelo mar Mediterrâneo, que atrai as massas de ar atlânticas no outono e no inverno. Abrange sobretudo o sul da França, a Espanha, a Itália e a Grécia.


Flora e fauna. A Europa tem cinco regiões botânicas. A tundra aparece nas áreas mais setentrionais do continente (Escandinávia, Islândia, Rússia). A faixa situada ao sul dessa área é coberta pelo bosque boreal de coníferas (pinheiros, abetos, lariços). O bosque temperado se estende ao longo da costa atlântica (faias, carvalhos, tílias) e limita-se, a leste, com a estepe, cuja vegetação gramínea se prolonga da Hungria à Ucrânia. Ao sul do bosque temperado predomina a vegetação mediterrânea (pinheiros, azinheiras e sobreiros).
A ação do homem reduziu o número e o hábitat das espécies selvagens européias. Na zona mais setentrional vivem animais de peles finas, como a rena e a foca. Nos bosques temperados habitam o urso pardo, a raposa, o lince e a lontra, e, na área mediterrânea, lebres, javalis, perdizes e faisões. A montanha apresenta uma fauna peculiar, com animais como o alce e o cabrito montês.

Aspectos demográficos

Composição étnica. A Europa é o continente de maior densidade populacional do mundo e de mais equilibrada distribuição demográfica. Todos os povos europeus são caucasóides (brancos), com exceção dos lapões, búlgaros, turcos, magiares e finlandeses, de origem mongolóide.
Línguas. A maioria das línguas européias procede do tronco indo-europeu. Os grupos mais importantes são: o neolatino ou românico (francês, italiano, espanhol, português, provençal, sardo, reto-romeno, catalão, galego, romeno); o eslavo (russo, polonês, ucraniano, bielorrusso, búlgaro, servo-croata, esloveno, sorábio ou vendo, tcheco, eslovaco); o germânico (alemão, neerlandês, frísio, inglês, dinamarquês, norueguês, sueco, islandês); o celta (irlandês, escocês, galês, bretão); o ilírico (albanês); e o helênico (grego). Das línguas não indo-européias destacam-se a família fino-úgrica (húngaro, finês ou finlandês, estoniano, lapão e carélio), a altaica (turco), a camito-semítica (maltês) e o basco ou vasconço, este sem relação com nenhuma família lingüística conhecida.


Estrutura demográfica. Comparada com a dos outros continentes, a população da Europa se distribui de maneira mais regular. As maiores densidades demográficas se observam nos países e regiões mais industrializados: os Países Baixos, o oeste da Alemanha, o Reino Unido, o norte da França, o norte da Itália e a região de Moscou. As zonas mais despovoadas são as nórdicas (Escandinávia e norte da Rússia). O grau de urbanização é desigual: nos Países Baixos supera noventa por cento da população; mas na Romênia ou na Albânia mal atinge a metade desse número. Mais de quarenta cidades ultrapassam um milhão de habitantes.

Aspectos econômicos

Agropecuária. As principais culturas são: cereais, sobretudo trigo, cevada, centeio e, em menor escala, milho, arroz, aveia e batata. Dentre as frutas, destacam-se os cítricos, maçã, pêra e, nos países mediterrâneos, as oliveiras e as videiras, estas importantes tanto pela uva como pela qualidade dos vinhos.
A Europa produz leite, queijo e manteiga acima de suas necessidades. Os rebanhos mais importantes são o bovino e o suíno. A avicultura abastece o mercado de ovos e de carne. A pesca é atividade relevante na Rússia, Noruega, Islândia, Dinamarca e Espanha. As espécies mais comuns são a sardinha, a cavala, o atum, o arenque e o bacalhau, moluscos e crustáceos.
Indústria. A Europa foi o primeiro continente a realizar a revolução industrial. Com a garantia de matérias-primas baratas e mercados seguros para as manufaturas européias, acelerou-se o processo de industrialização. Ao longo do século 20, a Europa foi perdendo o poderio, mas a criação de organismos econômicos supranacionais, como a Comunidade Econômica Européia (1957), estimulou sua recuperação. Em 1993, o Tratado de Maastricht estabeleceu as bases da União Européia, que visa à criação de normas legais unificadas e de um sistema financeiro e bancário comum.
A indústria européia abrange todos os campos, e é muito competitiva nos setores siderúrgico, de construção, têxtil, químico, naval e automobilístico. Além disso, graças aos bosques de coníferas da Rússia, da Escandinávia e da Alemanha, há uma grande indústria do papel. Mas os setores de ponta das novas tecnologias apresentam atraso em relação ao Japão e aos Estados Unidos. As concentrações industriais mais importantes estão no Ruhr, na região central da Inglaterra, na zona de Paris e no distrito industrial de Donbass, Rússia.
Energia. A produção energética insuficiente exige a importação de grandes quantidades de petróleo, só extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no mar do Norte. O carvão mineral é abundante na Rússia, Polônia, Reino Unido e Alemanha. Há grandes reservas de gás natural nos Países Baixos, Rússia, Romênia e Reino Unido. Vários países dispõem de usinas nucleares.
Mineração. O subsolo é rico em ferro (Rússia, Alemanha, Reino Unido, Eslováquia), condição que, juntamente com o carvão, viabilizou a indústria siderúrgica, mecânica e automobilística. Apesar da inexistência, em quantidade suficiente, de bauxita, cobre, estanho, zinco e minerais estratégicos (níquel, cromo ou urânio), criou-se uma importante indústria de fundição de metais não-ferrosos, graças à importação.


Comércio. O comércio exterior apresenta uma nítida diferença entre a Europa oriental, que tem volume menor de transações comerciais, e a Europa ocidental, que ocupa lugar preeminente nas trocas internacionais. Os principais parceiros são Estados Unidos, Canadá, Japão e países do Oriente Médio. Matérias-primas, minerais, produtos tropicais, borracha e madeira são importados. A exportação compreende basicamente manufaturados, automóveis, navios, produtos químicos, produtos ópticos e calçados. O comércio intra-europeu é comparável ao mantido com outros continentes.
Transportes. A área centro-ocidental européia, de comércio intenso, forma a rede terrestre mais densa do planeta, mas qualquer região medianamente importante conta com ferrovia ou rodovia. O perfil acidentado proporciona muitas baías e portos naturais. Os portos de maior movimento comercial são os de Rotterdam, Antuérpia, Havre e Marselha, Londres e Gênova. Os aeroportos de Moscou, Londres e Paris estão entre os mais movimentados do mundo. O fluxo turístico para o litoral mediterrâneo é responsável pelo grande número de passageiros que transitam por aeroportos como o de Palma de Maiorca e o de Málaga, na Espanha.


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