30/08/2007 | por: Ricardo Oliveira

Teoria da Política

 

TEORIA POLÍTICA I

 

ANÁLISE SOBRE A DEFINIÇÃO DE POLÍTICA,

PODER POLÍTICO, ESTADO, GOVERNO,

SOBERANIA, ETC, PARA OS GRANDES

PENSADORES ESTUDADOS.

 

OS PENSADORES POLÍTICOS DESDE NICOLAU

MAQUIAVEL

 

NICOLAU MAQUIAVEL (1469 - 1527)

 

                        Maquiavel, ao refletir sobre a liberdade de sua época,elaborou não uma teoria do Estado moderno, mas sim uma teoria de como se formam os Estados, de como na verdade se constitui o Estado moderno. Isso é o começo da ciência política; ou, se quisermos, da teoria e da técnica da política da política entendida como uma disciplina autônoma, separada da moral e da religião.

 

                        O Estado, para Maquiavel, não tem mais função de assegurar a felicidade e a virtude, segundo afirmava Aristóteles. Também não é mais - como para os pensadores da Idade Média - uma preparação doshomens ao Reino de Deus. Para Maquiavel o Estado passa a ter suas

próprias características, faz política, segue sua técnica e suas próprias leis.

Logo no começo de O príncipe, Maquiavel escreve: "Como minha

finalidade é a de escrever coisa útil para quem a entender, julguei mais

conveniente acompanhar a realidade efetiva do que a imaginação sobre

esta". Trata-se já da linha do pensamento experimental, na mesma senda

de Leonardo da Vinci: as coisas como elas são, a realidade política e

social como ela é, a verdade efetiva.

 

                        Isso significa que devemos estudar as coisas como elas são e

devemos observar o que se pode e é necessário fazer, e não aquilo que

seria certo fazer.

 

                        Maquiavel afirma: "Há uma dúvida se é melhor sermos

amados do que temidos, ou vice-versa. Deve-se responder que

gostaríamos de ter ambas as coisas, sendo amados e temidos; mas, como

é difícil juntar as duas coisas, se tivermos que renunciar a uma delas, é

muito mais seguro sermos temidos do que amados... pois dois homens,

em geral, podemos dizer o seguinte: eles são ingratos, volúveis,

simuladores e desestimuladores; eles furtam-se aos perigos e são ávidos

de lucrar. Enquanto você fizer o bem para eles, são todos teus, oferecem-

te seu próprio sangue, suas posses, suas vidas, seus filhos. Isso tudo até o

momento que você não tem necessidade. Mas, quando você precisar, eles

viram as costas.

 

Com isso, Maquiavel contradiz profundamente o que ele próprio havia

escrito sobre a primeira década de Tito Lívio: isto é, que o poder baseia-

se na democracia, no consentimento do povo, entendendo-se como povo a

burguesia do seu tempo. Mas agora Maquiavel pensa na construção de

um Estado unitário e moderno, portanto do Estado absoluto, e descreve o

que será o processo real da formação dos Estados unitários.

 

                        Maquiavel funda uma nova moral que é a do cidadão, do

homem que constrói o Estado; uma moral imanente, mundana, que vive

no relacionamento entre os homens. Não é mais a moral da alma

individual, que deveria apresentar-se ao julgamento divino "formosa" e

limpa.

 

 

THOMAS ROBBES (1588 - 1679)

 

 

                        Começam assim a surgir os fundamentos da teoria moderna

do Estado, que posteriormente receberá uma formulação mais completa

nos séculos XVII e XVIII pelo filósofo inglês Thomas Hobbes.

 

                        A teoria do Estado de Hobbes é a seguinte: quando os

homens primitivos vivem no estado natural, como animais, eles se jogam

uns contra os outros pelo desejo de poder, de riquezas, de propriedades. É

o impulso à propriedade burguesa que se desenvolve na Inglaterra: "homo

homini lupus", cada homem é um lobo para o seu próximo. Mas como,

dessa forma, os homens destroem-se uns aos outros, eles percebem a

necessidade de se estabelecerem entre eles um acordo, um contrato. Um

contrato para constituírem um Estado que refreie os lobos, que impeça o

desencadear-se dos egoísmos e a destruição mútua. Esse contrato cria um

estado absoluto, de poder absoluto (Hobbes apresenta nuanças que

lembram Maquiavel).

 

                        A noção do Estado como contrato releva o caráter mercantil,

comercial das relações sociais burguesas. Os homens, por sua natureza,

não seriam propensos a criarem um Estado que limitasse a sua liberdade;

eles estabelecem as restrições em que vivem dentro do Estado, segundo

Hobbes, com a finalidade de obter dessa forma sua própria conservação e

uma vida mais confortável. Isto é, para saírem da miserável condição de

guerra permanente  que é a conseqüência necessária das paixões naturais.

 

                        Mas os pactos, sem espadas, não passam de palavras sem

força: por isso o pacto social, a fim de permitir aos homens a vida em

sociedade e a superação de seus egoísmos, deve produzir um Estado

absoluto, duríssimo em seu poder.

 

                        J.J. Rosseau, posteriormente, vai opor a Hobbes uma

brilhante objeção: ao dizer que o homem, no estado natural, é um lobo

para seus semelhantes, Hobbes não descreve a natureza do homem mas

sim os homens de sua própria época. Rosseau não chega a dizer que

Hobbes descreve os burgueses de sua época; mas, na realidade, Hobbes

descreve o surgimento da burguesia, a formação do mercado, a luta e a

crueldade que o caracterizam.

 

 

JOHN LOCKE (1632-1704)

 

 

                        Não se trata aqui da revolução de 1648, mas da Segunda

revolução, que concluiu-se em 1689. Foi uma revolução do tipo liberal,

que assinalou um acordo entre a monarquia e a aristocracia, por uma lado,

e a burguesia, pelo outro. Isso ocasionou o surgimento de normas

parlamentares, bem como uma condução do Estado fundada numa

declaração dos direitos do parlamento, que foi definida em 1689. Na

década anterior, surgira o habeas corpus (que tenhas o teu corpo),

dispositivo que dificulta as prisões arbitrárias, sem uma denúncia bem

definida. O habeas corpus estabelece algumas garantias que transformam

o "súdito" num "cidadão". Nasce assim o cidadão, justamente na

Inglaterra, e John Locke é o seu teórico.

 

                        Locke observa que o homem no estado natural está

plenamente livre, mas sente a necessidade de colocar limites à sua própria

liberdade. Por quê? A fim de garantir a sua propriedade. Até que os

homens sejam completamente livres, existe entre eles uma luta que não

garante a propriedade e, por conseguinte, tampouco uma liberdade

durável.

 

                        Locke afirma que os homens se juntam em sociedades

políticas e submetem-se a um governo com a finalidade principal de

conservarem suas propriedades. O estado natural (isto é, a falta de um

Estado) não garante a propriedade. É necessário constituir um Estado que

garanta o exercício da propriedade, a segurança da propriedade.

 

                        Visando isso, estabelece-se entre os homens um contrato que

origina tanto uma sociedade, como também os Estado (para Locke, as

duas coisas vão  juntas).

 

                        O Estado também aí surge um contrato. Para Hobbes, porém,

esse contrato gera um Estado absoluto, enquanto para Locke o Estado

pode ser feito e desfeito como qualquer contrato. Isto é, se o Estado ou o

governo não respeitar o contrato, este vai ser desfeito. Portanto, o

governo deve garantir determinadas liberdades: a propriedade, e também

aquela margem de liberdade política e de segurança pessoal sem o que

fica impossível o exercício da propriedade e a própria defesa da

liberdade. Já estão implícitos, aqui, os fundamentos de algumas

liberdades políticas que devem ser garantidas: a da assembléia, a da

palavra, etc. Mas, em primeiro lugar, a liberdade de iniciativa econômica.

 

                        O Estado é soberano, mas sua autoridade vem somente do

contrato que o faz nascer: este é o fundamento liberal, sem dúvida

progressista, do pensamento de John Locke. O Estado não recebe sua

soberania de nenhuma outra autoridade.

 

                        A relação entre propriedade e liberdade é extremamente

evidente: o poder supremo não pode tirar do homem uma parte de suas

propriedades sem o seu consentimento. Pois a finalidade de um governo e

de todos os que entram em sociedade é a conservação da propriedade.

 
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                        Locke afirma que a propriedade é objeto de herança, pois o

pai transmite a propriedade aos filhos; o poder político, ao contrário, não

se transmite pela herança, deve Ter uma origem democrática,

parlamentar.

 

                        A sociedade política e a sociedade civil obedecem  a normas

e leis diferentes. Todos os direitos de propriedade são exercidos na

sociedade civil e o Estado não deve interferir, mas sim garEORIA POLÍTICA I

TEORIA POLÍTICA I

 

ANÁLISE SOBRE A DEFINIÇÃO DE POLÍTICA,

PODER POLÍTICO, ESTADO, GOVERNO,

SOBERANIA, ETC, PARA OS GRANDES

PENSADORES ESTUDADOS.

 

OS PENSADORES POLÍTICOS DESDE NICOLAU

MAQUIAVEL

 

NICOLAU MAQUIAVEL (1469 - 1527)

 

                        Maquiavel, ao refletir sobre a liberdade de sua época,

elaborou não uma teoria do Estado moderno, mas sim uma teoria de como

se formam os Estados, de como na verdade se constitui o Estado

moderno. Isso é o começo da ciência política; ou, se quisermos, da teoria

e da técnica da política da política entendida como uma disciplina

autônoma, separada da moral e da religião.

 

                        O Estado, para Maquiavel, não tem mais função de assegurar

a felicidade e a virtude, segundo afirmava Aristóteles. Também não é

mais - como para os pensadores da Idade Média - uma preparação dos

homens ao Reino de Deus. Para Maquiavel o Estado passa a ter suas

próprias características, faz política, segue sua técnica e suas próprias leis.

Logo no começo de O príncipe, Maquiavel escreve: "Como minha

finalidade é a de escrever coisa útil para quem a entender, julguei mais

conveniente acompanhar a realidade efetiva do que a imaginação sobre

esta". Trata-se já da linha do pensamento experimental, na mesma senda

de Leonardo da Vinci: as coisas como elas são, a realidade política e                    Ao invés disso, Rousseau nega a distinção entre os poderes,

visando afirmar acima de tudo o poder da assembléia. Não pode existir

um poder executivo distinto do assembléia, do poder representativo (é a

idéia que Lênin retomar plenamente, pois nos Sovietes os poderes

legislativo e executivo identificam-se e o poder representativo é

dominante.

 

                        Outra contradição aparece quanto à soberania da assembléia.

A assembléia não deve delegar o seu poder, o povo nunca pode transferir

sua soberania, nem que seja por um instante. Consequentemente, há uma

identidade entre sociedade política e sociedade civil. Mas o próprio

Rousseau afirma que um povo não pode ficar sempre reunido em

assembléia, pois existe uma dificuldade prática, real.



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