22/09/2007 | por: Ricardo Oliveira
20. Dia Nacional da Consciência Negra
Observando as pessoas a nossa volta, verificamos que muitas têm avós italianos, pais árabes, origem espanhola, alemã ou portuguesa, mas, o que constatamos mesmo é que a maioria de crianças e adultos possui traços de origem negra. O negro é talvez o elemento que mais contribuiu na formação da nossa cultura.
O Dia Nacional da Consciência Negra foi instituído para homenagear Zumbi dos Palmares, chefe das forças armadas de Palmares, possuidor de grande capacidade de liderança, e se tornou o baluarte na luta dos negros contra o preconceito e o racismo.
A trajetória do rei de Palmares se mistura à própria história da escravidão negra na América. Submetidos ao duro trabalho nos engenhos de açúcar e em outras atividades, muitos escravos fugiam e formavam sociedades paralelas, os quilombos ou mocambos, inspirados na organização das sociedades africanas. Palmares iniciou em 1597, com a fuga de quarenta negros de um engenho de Porto Calvo, sul da capitania de Pernambuco, e foi o maior e mais duradouro quilombo brasileiro.
Longe das fazendas e da ira de seus senhores, esses escravos fundaram o quilombo na Serra da Barriga, um local de terras férteis, água em abundância e com uma visão privilegiada de toda a área próxima. O nome: Palmares era uma referência às palmeiras da região. Zumbi nasceu no Quilombo dos Palmares, provavelmente em 1665, mas cresceu distante dele. Com poucos meses de vida, foi capturado por uma expedição militar e doado ao padre Antônio de Melo, do distrito de Porto Calvo. Batizado como Francisco, o menino aprendeu a ler e escrever na paróquia.
Apesar de todas as regalias, incomuns aos negros daquela época, por volta de 1670, aos 15 anos, ele decidiu voltar com alguns escravos fugitivos, para sua terra natal. Em Palmares, Francisco assumiu o nome de Zumbi e se destacou como chefe militar.
A existência dos quilombos incomodava o sistema colonial português, principalmente Palmares, que se mantinha em intenso e constante contato com as comunidades vizinhas. E mesmo que os quilombos não expressassem uma alternativa contra a sociedade escravista, os conflitos na região eram comuns.
Além disso, os negros no cativeiro ouviam histórias de Palmares e alimentavam a esperança de fugir, para se juntarem à ele. O Quilombo dos Palmares chegou a abrigar mais de vinte mil habitantes, em uma área de quase vinte e sete quilômetros quadrados. Hoje sabemos que a história de Zumbi e do quilombo dos Palmares atravessou o oceano Atlântico e chegou até os negros na África, ainda nessa época através dos portugueses.
O Quilombo dos Palmares não era um local só para os negros, ele abrigava diversas comunidades excluídas. Já em 1695, Zumbi sonhava com uma sociedade igualitária, por isso seu pensamento deve permanecer dentro de cada um de nós. O "espírito" que envolve Zumbi dos Palmares deve persistir, porque apesar da democracia racial, os índices de desigualdade econômica e social entre negros e brancos, demonstram o grau de racismo e preconceito ainda existentes no Brasil.