22/09/2007 | por: Ricardo Oliveira
08. Dia Mundial do Urbanismo
Na Idade Média, a vida nos burgos era organizada sobre quatro pilares: limpeza, segurança, regularidade e beleza. No século XIII, as pessoas que jogassem o lixo em frente às suas casas ou mesmo desviassem para as ruas as canalizações de esgoto, eram punidas conforme a lei.
Durante a Renascença com o aumento de tráfego causado pela popularização do coche como meio de transporte nas cidades, elas precisaram ser planejadas, e um novo elemento foi incluído no traçado viário urbano: as avenidas. Como vimos, desde seu início as cidades sempre necessitaram de alguma forma de planificação, seja ela formal ou informal, governamental ou cidadã.
A partir do século XVIII, o "inchaço desordenado" das cidades, em conseqüência da revolução industrial, começou a se tomar um problema sério, evoluindo para uma questão sócio-política à ser resolvida em níveis mais abrangentes. Mas o termo "urbanização" só apareceu no final do século XIX, quando o arquiteto espanhol Ildefonso Cerda, batizou o processo caótico das cidades com esse nome, criando assim essa expressão.
Em 1919, Walter Gropius, um arquiteto racionalista alemão, equacionou o problema sugerindo um urbanismo progressista que, diferente do culturalista e do naturalista, apresentava soluções concretas. E foi esse urbanismo progressista que se consolidou.
Na década de 80, o movimento de re-ocupação das áreas centrais pela camada mais rica da sociedade, com seus edifícios de alto padrão, incentivou os processos de renovação urbana ou reurbanização, das cidades. Essa nova situação mostrou que a aplicação do urbanismo não podia sempre se fazer pela ocupação de novas áreas com formas de assentamentos supostamente adequados. Assim, os problemas dos centros urbanos se acentuaram nos seus espaços internos, onde os esforços de reestruturação deveriam ser concentrados.
No início deste século, fica claro que há uma crise travada sobre o conceito de cidade como elemento que isola e o de uma cidade interativa dentro de um espaço rural não-urbanizado. A separação urbano-rural já não tem importância, porque o espaço rural tornou-se espaço agrícola cada vez mais dependente das decisões dos centros urbanos, e o que um dia se chamou de cidade, hoje se tornou um centro urbano, pois engloba milhões de habitantes.
Portanto, se há um urbanismo em crise, é aquele preocupado com as infra-estruturas das cidades do que com a própria sociedade, o que seria o desejado e mais correto. O urbanismo atual já deixou de depositar na cidade, todas as suas esperanças e atenções. A técnica da cidade sucumbiu frente ao autêntico urbanismo que já assume ares de "urbanologia" , ou seja ciência urbana, o que significa que seu desejo de conhecer para transformar é maior do que o de transformar para resolver.
Esse urbanismo que coloca a cidade como parte fundamental do desenvolvimento sustentável, não está em crise. Ao contrário, sua tarefa é longa pois o milênio passado foi o da cidade e o atual será o do centro urbano.